fbpx
Início / Notícias / Redes sociais são debatidas por professores na Comissão do Trabalho

Redes sociais são debatidas por professores na Comissão do Trabalho

Para contribuir para a implementação das políticas públicas de fomento ao voluntariado transformador no estado, previstas na Lei 18.716, de 2010, cujo projeto é de sua autoria, a deputada Rosângela Reis (PV), presidente da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Ação Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, realizou ontem (17/3/10), uma audiência pública com palestra dos professores W Ernesto Ude, da Faculdade de Educação da UFMG, e Lucimar Albuquerque, da Pró-Reitoria de Extensão da PUC Minas, que trabalham com os conceitos de rede social.

A Lei 18.716 foi sancionada pelo governador Aécio Neves no dia 8 de janeiro e prevê que o Estado contribua para o fortalecimento da rede social que atua com voluntariado transformador, inclusive promovendo a capacitação para esse tipo de trabalho, de forma a otimizar os resultados. Notamos, apesar do crescimento deste tipo de trabalho e dos benefícios que traz, que inúmeros obstáculos produziam desestímulo e comprometiam os resultados. Nossa iniciativa, que é precursora no país, busca alimentar o desejo das pessoas de atuarem como cidadãos, trazendo sua contribuição para as transformações sociais, e promover a integração nessa rede social”, explicou Rosângela Reis.

 

ASSISTENCIALISMO, NÃO!

W Ude, psicólogo com longa carreira de educador de meninos de rua, expôs os conceitos de redes sociais a partir do pensamento de renomados filósofos, lembrando que elas ambicionam hoje inserir o ser humano onde ele naturalmente sempre esteve, já que somos seres multifacetados e vivemos em um sistema onde tudo é interdependente. Entretanto, segundo ele, essa imagem foi desconstruída ao longo da história, de forma que o indivíduo e a sociedade passaram a ser vistos de forma fragmentada. Pensar em redes é pensar que tudo tem conexão com tudo. Segundo Edgar Morin, o homem é um ser bio-antro-psico-social. Todos temos saberes, que são insuficientes. A proposta é enxergar tudo interligado. Precisamos procurar acordos e consensos para nos aproximarmos ao máximo da verdade. Ou conectamos tudo o que foi desconectado pela realidade ou vamos nos extinguir como raça humana, alertou.

Para que o voluntariado seja exercido de forma transformadora, o professor alerta, antes de mais nada, para a necessidade das atividades serem qualificadas, com formação e capacitação continuada do trabalhador social, de forma que elas não sejam simplesmente assistencialistas e, ao contrário, promovam a emancipação das pessoas, permitindo que se tornem sujeitos das próprias ações. E deu um exemplo extremo mas real dos danos da aplicação de políticas públicas fragmentadas: “Soube de uma mãe cuja família é assistida p6 programas de governo. Em cada um busca uma migalha e não tem tempo de criar os filhos.

 

UM EXEMPLO DE REDE SOCIAL

A professora Lucimar Albuquerque descreveu a experiência de rede social que vem sendo conduzida há quatro anos pela PUC Minas com entidades de voluntariado no bairro Lindéia, abrangendo também outras comunidades, como as dos bairros Regina e Nossa Senhora da Conceição.

A primeira constatação foi de que havia muitos valores, muitos esforços e poucos resultados e de que era preciso integrar e buscar novas formas e metodologias para avançar. Seis cursos da universidade tinham uma atuação mais frequente – Administração, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Enfermagem, Nutrição e Psicologia – e outros, participavam do trabalho esporadicamente. As diretrizes eram a organização comunitária em rede, promover a economia solidária e fortalecer a luta dos movimentos populares por políticas sociais. “Fizemos vários trabalhos, como a criação de um catálogo de recursos sociais e de um vídeo do movimento popular, a implantação de cursos em oficinas, de acordo com as demandas e o mapeamento da vocação do centro cultural”, contou.

Lucimar identificou vários tipos de motivação para voluntários, sendo a principal delas a religião, mas observou também que muitos participam com um interesse específico, como a construção de uma escola, o aumento dos pontos de ônibus, e depois de atingir esse objetivo se desmobilizam. O que é realmente importante é retirar a capa de indiferença para defender a vida, concluiu.

 

Passos para se criar uma rede social

  • A motivação não pode ser só de um ou unicamente externa
  • Criar espaços de conversação, com uma coordenação
  • Reconhecer o outro
  • Conhecer o outro
  • Saber o que posso compartilhar com ele e iniciar algumas parcerias e cooperações esporádicas
  • Passar à fase de cooperação contínua
  • Os critérios devem ser construídos coletivamente
  • É preciso ter bons coordenadores, para integrar as políticas, e fazer boas perguntas

“Meu sonho é que essa rede social possa trabalhar de forma eficiente e otimizada estimulando continuadamente a solidariedade e o exercício da cidadania” – Deputada Rosângela Reis

“O que é realmente importante é retirar a capa de indiferença para defender a vida” – Profa. Lucimar Albuquerque

“Ou conectamos tudo o que foi desconectado pela realidade ou vamos nos extinguir como raça humana” – Prof. W Ude

Ir para o topo